4 de fevereiro de 2010

Carpe Noctem

I
Por que você gosta do Sol?
Por que você gosta do Sol
Se ele queima seus olhos
Todas as vezes em que você
Tenciona vislumbrá-lo?

Por que você gosta do Sol?
Por que você gosta do Sol
Se ele o abandona todas as noites?
Por que você gosta do Sol
Se ele o aquece apenas para, depois,
Vê-lo agonizar em meio ao frio?

II
Por que você insiste em passar
Seis ou mais eternidades
Orbitando sobre uma chama
Condenada ao fim?
Por que, ao invés de adorar o suicida
Que o sepultará ainda em vida,
Você não lamenta
A tortuosa despedida de quem
Depende de você para existir?

Por que você não é capaz de ver
Que nem mesmo Sirius e toda Órion
Jamais serão tão belos quanto
Aquela que não possui
Sua própria luz
Para diluir a escuridão?

Você não vê?
Você não vê que, cedo ou tarde,
A vida ansiará pelos frios braços da morte?
Você não vê que a morte
O ama e muito o deseja -
Enquanto sua vida
Simplesmente o despreza?

III
Veja, pois -
Veja que a Lua transcede o Sol
Sempre que desponta, alva,
Sobre o céu do dia.
Veja, agora -
É noite novamente.

2 de fevereiro de 2010

Tempestade

Um poema de longos versos empoeirados e um pouco de sangue escarlate seco sobre o chão. Um grande espelho e cruel inquisidor. Gritos exasperados em trovões e frias gotas de chuva determinadas a manchar sua inocência.

Nós costumávamos cultivar os mesmos sonhos, mas, hoje, estamos apenas sob a mesma tempestade.

1 de fevereiro de 2010

Capítulo Dois

Era interessante. Interessante descobrir que a mente de uma pessoa não passava de um cemitério construído sobre um lugar escuro e oco onde répteis monstruosos como esse se arrastavam pelo fundo. Interessante.
Jogo Perigoso, página 194 - Stephen King

Do sono em demasia, passei à insônia. Após dar voz às páginas dos tantos livros que lia, alcancei o silêncio. Depois de buscar alívio em palavras e navalhas, deixei que meus olhos comtemplassem o vazio.

Foi tudo muito devagar. Durante todos aqueles dias que não sei dizer quantas eternidades duraram, lamentei o desaparecimento do pedaço de mim que tanto quero de volta de meu pequeno horizonte.
Foi tudo muito rápido. Inconscientemente, empurrei abismo abaixo cada uma das hediondas faces da verdade que nunca me fez bem. Durante apenas um segundo, eu me esqueci de todas as dores excruciantes que tornaram eterna minha morte. Quatro segundos.